segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O emburrecimento pela difusão cultural


O motivador do tema

 Eu poderia falar da intervenção estatal na educação, como poderia e falarei aqui da intervenção estatal na arte, pois também conheço um pouco da área fiz seis anos de teatro, apresentei seis peças e posso afirmar que liberdade de expressão está longe de ser uma realidade na área, devida a intervenção estatal. Decido fazer esse texto sobre a intervenção neste setor também por ela não ser completamente distante da educação, pois de certa maneira o trabalho do professor de filosofia é ler e debater o que a cultura apresenta para nós.  Tentarei apresentar números que provem que não é efetivo o aumento da intervenção estatal pelo objetivo que eles vendem que é o aumento da difusão de coisas “genuinamente nacionais” (motivo esse pela qual eu, que amo Halloween, acho completamente imbecil, pois a partir do momento que você tem de força algo que tu acredita ser popular, para o povo, o “popular” isso que tu queres empurrar não é mais popular a muito tempo), não aumenta a difusão da “nossa” cultura e gera como conseqüência o distanciamento do povo da arte nacional, gera  empobrecimento intelectual e material na população que fica limitada a novas possibilidades criativas por não se enquadrar no plano, legaliza o roubo, pois retira do bolso de quem nunca iria num teatro ou num cinema para financiar-los, fazendo recursos que poderia ser realocados em outras áreas ou na própria família do individuo da maneira que o satisfizesse  mais ir para pessoas que ainda assim cobram ingressos. Logo todo incentivo a arte, todo subsidio estatal a ela é uma amoralidade imensa, por ser roubo, policia de pensamento, controle de discurso, gerando o discurso oficial, limitador de criatividade e inovação (o que aumenta o pronvicianismo doentil, o folclorismo retardado que valoriza um folclore que ninguém da à mínima por justamente ser forçado, esquecendo uma análise básica que até mesmo nosso Saci é fruto de uma mistura do folclore europeu com o nacional, ou aqui no Brasil tem furacões que justifique ele se transformar em um para se teles transportar pela mata? Ou índios nativos usam gorros de duendes alemães e fumam um cachimbo de Sherlock Holmes?), eliminador do fator orgânico da cultura que a faz evoluir e seguir em eterno aprendizado. Ou seja, incentivo a arte é pavimentar a estrada para o emburrecimento de uma nação.      Eu também me sinto mais compelido a falar desse tema, devido ao fato de que meu caminho para chegar a autores conservadores, anarcos capitalistas, libertários, liberais, Escola Austríaca se deu pela cultura pop, Tio Patinhas me ensinou Mises, o decreto do Dia do Saci que visa impedir as más influências capitalistas e norte americana do halloween, me fez questionar o estado e sua pretensa iluminação.
Os 10% que mata 100%
     Não sei se reparou, mas no Brasil os 10% mata, são 10% de cota racial nas empresas e universidades que não podem contratar selecionar, pela capacidade e caráter do indivíduo, mas pela sua cor, verdadeiro racismo que custa caro, 10% de programação nacional em TVs pagas e serviço de streaming, 10% para o bolso de um político em uma propinazinha, 10%, 10%, 10%, que de grão em grão a galinha encheu o papo e bum virou 100% de peso nas costas da população que não consegue comprar nem sequer a cesta básica quem dirá um ingresso
para um filme nacional que ocupa coercitivamente 10% das salas de cinema. Salas essas vazias sem uma mosca, salas que poderiam ser alugadas para outros filmes, outros eventos, que o dono do cinema poderia fazer, empregando mais pessoas, gerando mais valor.
O cinema e o teatro que “todos” amam, mas ninguém assiste
 Segundo o site “Adoro o cinema” de acordo com relatório divulgado pela Ancine, mais de 80 milhões de ingressos para o cinema foram vendidos no primeiro semestre de 2014, sendo que a grande maioria do público optou por produções estrangeiras1 e segundo o site G1 em 2014 o governo investiu 1,2 bilhões de reais em produções nacionais2 que ninguém viu, mas todos dizem amar para ser bonito nas rodas intelectuais, um desperdiço de dinheiro que custa vidas, pois hospitais desde 2014 para cá fecham leitos por falta de verba segundo o site Agora3:

- Nos últimos três anos, os hospitais São Paulo, na Vila Clementino (zona sul), HU (Hospital Universitário da USP), no Butantã (zona oeste), Santa Casa e Instituto do Câncer Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho, ambos na Santa Cecília (centro), fecharam 773 leitos.
Má gestão, demissão em massa ou cortes em repasses do governo federal e municipal são os principais motivos para a redução no atendimento.
O primeiro a entrar em colapso foi a Santa Casa, que escancarou a falta de verba em 2014, quando fechou o pronto-socorro por 24 horas.
Estava sem insumos básicos, como gazes.
   Nem precisa lembrar que o governo federal estava na mão da tal injustiçada Dilma, como dizem alguns descerebrados. Nesse mesmo período Haddad também era prefeito de São Paulo e por meio da lei nº 15.951/2014 institui em São Paulo o Prêmio Zé Renato de apoio à produção e desenvolvimento da atividade teatral para a cidade de São Paulo, e dá outras providências, premiação essa estranha, afinal, não é nenhum tipo de competição que premia apenas o melhor, ainda mais que para o povo de teatro (experiência própria) vivem dizendo que melhor ou pior não existe, dando para cada projeto teatral uma pequena opressão de 200 mil reais, isso esquecendo os outros incentivos que os oprimidos de plantão recebem, o que é um hospital perto de um propagandista audacioso? Nada além de um detalhe incomodo.
    Continuando para que não fale que estou usando dados desatualizados sigo com uma notícia de O globo cujo a manchete é a seguinte “Apesar de produção recorde, brasileiro ainda
                                                       
 1 Vitor Figueira, J. Público de cinema cresce no Brasil, mas busca por produções nacionais cai. Adoro o cinema, 2014. Disponível em: < http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-109010/>. Acesso em: 28 ago. 2017. 2 Matoso, F. Governo anuncia investimento de R$ 1,2 bilhão no cinema. G1, 2014. Disponível em: < http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2014/07/governo-anuncia-investimento-de-r-12-bilhao-no-setoraudiovisual.html>. Acesso em: 28 ago. 2017. 3 Oliveira, L. Hospitais em crise fecham 1 em cada 3 leitos desde 2014. Agora, 2017. Disponível em: < http://www.agora.uol.com.br/saopaulo/2017/06/1893347-hospitais-em-crise-fecham-1-em-cada-3-leitosdesde-2014.shtml>. Acesso em: 28 ago. 2017.
vê pouco filme nacional”4  na notícia ele aponta por não ter uma política estratégica boa o resultado desse desinteresse, nunca apontam a soberba dos artistas, os filmes serem ruins, chatos pela falta de público. Sempre justificam a falta de público pela falta de investimento estatal, em um país como o Brasil isso chega a ser um crime contra todos os brasileiros e aqui estamos falando apenas da Ancine, do Prêmio Zé Renato, ainda nem cheguei na famigerada lei Roaunet. Porém deixemos o cinema de lado e falemos de teatro, caso “Primeira mostra internacional de teatro”, estava fazendo teatro na época e lembro que o nome da mostra já era uma mentira, pois Ruth Escobar já fazia mostras de teatro internacional há muito tempo, o evento teve captação de 3,5 milhões via lei de incentivo a cultura, e mais alguns trocados privados, como o de praxe, Marta ainda do PT, Guido Mantega era ministro e foi chorar e se emocionar com uma peça de um velho cagando a peça inteira, tudo pago com o dinheiro do tratamento de um câncer, para bancar o festival de hipócritas ante capitalismo, Marta adentrou ao evento cercada por seguranças. Mas tudo bem pago com o dinheiro dos impostos que não retornam em nossas estradas, hospitais e afins. Viva o show!
Das coisas obvias
 Muitos acusam quem fala contra esse tipo de investimento pertencer ao estado de censurador, filhote de ditadura, mas não quero proibir o artista de ser livre para se expressar, quero que seus fãs e ele mesmo se banquem. Pois como pode ser de interesse público algo que só meia dúzia assiste? Essa é a verdadeira ditadura que acusam a nós e isso é nocivo, emburrecedor, limitador, transformou a arte em mera panfletagem e fez o povo brasileiro esquecer até como se xinga, tudo foi reduzida a política. O que mais me incomoda é ver que alguns ainda defendem e lutam contra teatros fechando no Rio de Janeiro, por exemplo, lutam com força que esquecem que eles estão recebendo um pouco da crise que jogou a todos, esquecem que artistas como Wagner Moura usou a saída mais efetiva do Brasil para ir para Flórida viver ao lado de Mickey Mouse e Ronald Mcdonald’s. Não enxergam que isso deixa claro que o mundo melhor que pregam não é para todos como dizem, mas para eles – há iguais mais iguais que os outros – como dizia Orwell. Olavo de Carvalho ensina que a primeira coisa para se destruir uma nação é desarmá-la intelectualmente e as leis de incentivo a cultura que criou castas iluminadas que ditam o que você deve escrever, o que você deve sentir, como você deve sentir, se não portas se fecham, causou esse desarme no brasileiro, como conseqüência esse primeiro desarmamento levou a arrancar nós as armas, e o poder financeiro, mas ainda tem gente que acredita que milhões saíram da pobreza ainda precisando de bolsas famílias.
  Eu poderia falar também das meio-entradas, que causam o aumento de preço de pipocas, e até mesmo dos ingressos, com a desculpa de dar mais acesso faz gastarmos quase 100 reais quando vamos ao cinema, poderia falar também que os incentivos a arte começou na era Sarney, mas ai o texto não precisaria de mais parágrafos a palavra Sarney é o argumento definitivo, mas acho que essa pequena explanação de como o intervencionismo na arte é prejudicial não só pra arte, mas em diversos outros setores também já é o suficiente para
                                                       
 4 Ristow, F. Apesar de produção recorde, brasileiro ainda vê pouco cinema nacional. O Globo, 2017. Disponível em: < https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/apesar-de-producao-recorde-brasileiro-ainda-vepouco-filme-nacional-21055382>. Acesso em: 29 ago. 2017.

cumprir por hora o meu objetivo de provar a tamanha imoralidade dessas leis perante um povo que sofre em uma fila de hospital. Além de políticos, temos outro inimigo que devemos sempre ter cuidado, o que dá sustentação ao político e o propaga para jovens, artistas, talvez o maior fundo partidário seja o incentivo a cultura por meio do estado. Stalin diria que sim, afinal fora ele que inventou a arte propaganda.

Vinicius Diniz
Sou formado em filosofia pela UniÍtalo
Sou formado em curso técnico de artes dramáticas (teatro) pelo Teatro Escola MacunaímaSou pós graduando em Escola AustríacaSou e moro em São Paulo capital

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